Às vezes eu passo semanas sem escrever no meu diário. Ou escrevo só pra fazer uma lista do que está pendente na minha cabeça. Mas sabe quando você tem uma idéia, ou uma lembrança que não te deixam em paz? Que você precisa desenvolver, boatar pra fora? Essa é sempre a melhor escrita. Hoje eu vôei tanto que decidi compartilhar aqui com vocês. Se vocês entenderem não tem problema. Eu também não.
July 4/08
É possível que existam partes de você tão distantes que você já não sabe se as perdeu? Memórias perdidas, pedaços de lembranças, visões, lugares, pessoas, cenas. Como explicar pro OUTRO o significado de uma esquina? Tantas vezes eu passei por lá. Tantas vezes eu desci naquela parada de ônibus. Tanto me dei. Tudo ficou marcado.
Eu às vezes não sei quem sou, “mas vocês são os mesmos” ela disse. Estou despedaçada por mil lugares, tempos e pessoas. Coisas que já aconteceram faz tanto tempo. Ainda são reais? Eu falo a mesma língua mas ela não é falada pra mim. Eu pertenço e não pertenço. Onde está a minha estória senão comigo? Toda a carga.
Eu às vezes lembro de coisas que vêm como um susto. Será que foi verdade? Mas eu ainda sinto. Será que eu cresci mesmo? Será que eu ainda estou saíndo do colégio pela Princesa Isabel e entrando numa lanchonete? Tão segura, tão perdida. E o que mudou? O que é realmente concreto senão esses retalhos? E se eu esquecer? Eu deixo de existir.
